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Maria Ribeiro entre crônicas, câmeras e um pouco de deboche10. 02. 2015
 
Globo / Renato Rocha Miranda
Maria Ribeiro
Por Maria Fernanda Moraes
 
Quem assiste à atriz Maria Ribeiro na novela do horário nobre da Globo pode não conhecer ainda os outros prazeres que a movem na vida. Talvez uma parcela de espectadores mais dedicados à programação televisiva já tenha a visto também no elenco de apresentadoras do programa Saia Justa, do canal GNT, onde ela exibe seu lado mais confrontador, “que também é da minha personalidade”, como ela mesma diz.
 
Outra sorte de leitores já pode ter rido e se identificado com as crônicas que Maria publica mensalmente na Revista TPM, que agora estão reunidas no livro Trinta e Oito e Meio (ed. Língua Geral). São depoimentos pessoais, de experiências já vividas, trazidas à luz da literatura de modo despretensioso, com humor e o deboche costumeiros que a autora faz de si mesma. Na orelha da obra, a amiga pessoal e também escritora Antonia Pellegrino já avisa: “Para ela, superficial e profundo convivem sem hierarquia. E esse é um dos grandes charmes da Maria”. 
 
A atriz e escritora também acumula outra paixão: os documentários. Em abril, ela lança Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida, documentário sobre a banda Los Hermanos, filmado quando os acompanhou por cinco dias em cidades como Brasília, Recife e Salvador durante os shows de reencontro do grupo, em 2012. Esse não é o primeiro trabalho do gênero da atriz, que já dirigiu também Domingos, um longa sobre o seu grande mestre e inspirador, o cineasta Domingos de Oliveira.
 
Mesmo se desnudando com graça em meio às crônicas e assumindo seu lado mais mundano – “Não sou boa dona de casa”, “tenho dificuldades de jogar as coisas fora”, diz num texto – e seu prazeres mais fúteis – “já desisti dos brincos grandes” ou “sou um ser que encontrou a plenitude na calça jeans”, confessa em outro –, Maria ainda está longe de ser descoberta por inteiro. E fica feliz com isso. “Vou mudar ainda muito de opinião na minha vida, se Deus quiser”, diz, certeira.
 
Acompanhe o papo que batemos com atriz-escritora-documentarista:
 
Como começou a sua relação com a escrita?
 
Maria. Lembro-me que, com 8 anos (eu comecei a ler com 6), escrevi um poema que a minha família toda considerou muito bom para a minha idade, e aquilo foi a descoberta de um lugar no mundo. Lembro-me da primeira vez que eu ouvi um poema do Fernando Pessoa ou do Bandeira, foram sempre coisas muito marcantes. E eu era muito boa em redação, fiz jornal em todas as escolas pelas quais eu passei. Eu tinha diários... sempre escrevi. Era uma maneira de eu tentar entender um pouco as coisas, uma terapia. Mas é difícil você encarar a profissão de escritora. Fui fazer jornalismo e antes eu já estava fazendo teatro, os trabalhos foram aparecendo, mas sempre escrevia. Aí a revista TPM me convidou para escrever uma coluna e virou uma coisa um pouco mais real.
 
E como veio a ideia do livro?
 
Maria. Tem cinco anos que sou colunista da TPM, e quando chegou num volume de crônicas razoável, resolvi juntar tudo num livro. Chamei a Rita [Wainer] para fazer as ilustrações porque fiquei com medo de parecer uma coisa pretensiosa, fiquei um pouco constrangida. Aí pensei em fazer um livro girlie. O tamanho dele é menor(18 x 13 cm), meio pedindo licença pra entrar nesse mundo literário, sabe? Acho que é isso, esse livro pede licença.
 
Como você se encontrou nas crônicas?
 
Maria. O formato da crônica sempre foi uma coisa muito presente para mim. Eu me lembro que comecei a ler contos e crônicas na infância, numa coleção que se chamava “Para gostar de ler”, que tinha Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Otto Lara Rezende. E depois eu fiquei fascinada pelo Rubem Braga por muito tempo na minha vida. A crônica tem essa coisa gentil, de parecer meio tola... é rápido e no fundo toca em coisas doídas e comuns a todo mundo.
 
                                                                                                                    Agência O Globo
A atriz conhecida nas novelas e por ‘Tropa de Elite’ também se aventura – e se encontra – na escrita e na paixão pelos documentários
 
Mas a crônica também tem o lado da exposição da vida pessoal do escritor, que também está presente em suas outras atuações artísticas. Como você mede isso?
 
Maria. Acho que a verdade te protege muito. Talvez eu preferisse ter talento para escrever um romance que não tivesse nada a ver comigo. Mas eu não consigo escrever de outra maneira, só consigo escrever sobre as minhas experiências. Eu crio a partir das minhas experiências pessoais. Eu tenho uma escola que é o Domingos [Oliveira], que por sua vez também tem a ver com o Woody Allen. Acho que quando você se expõe muito, você acaba não se expondo tanto, porque é um tipo de exposição que tem um recorte, tem uma escolha minha, não é aquilo de estar na banheira da minha casa fazendo matéria para a revista, sabe?
 
Conte um pouco sobre o formato do documentário do Los Hermanos.
 
Maria. Eu quis fazer um esquema de cinema direto. Sou eu seguindo os caras, atrás deles, sem entrevista, com a proximidade que me era possível, sem tentar forjar uma proximidade que não houve. Eu não sou amiga deles de sair para jantar. Ao mesmo tempo eles têm alguma confiança em mim e me deixaram estar lá. Tinha dias que eles estavam mais a fim, outros menos. E aparece essa distância no documentário. Tem um momento, por exemplo, que o Rodrigo reclama da câmera, e isso ficou no filme; ao mesmo tempo, tem momentos de extrema intimidade, quando eles estão no quarto depois do show, conversando, bebendo. Eu não gosto de depoimento em documentário. Dificilmente eu vou fazer um documentário em que vou entrevistar alguém, botar sentado numa poltrona bonita com fundo bonito. Eu gosto de documentários em que você se sente voyeur, mesmo que pegue situações desconfortáveis.
                                  
Você é assumidamente fã da banda. Essa sua visão é perceptível no documentário?
 
Maria. Acho que o filme tem uma coisa subliminar, não é só acompanhar a banda nos shows, mas fala da passagem do tempo, que é o tema que mais me move. Eles são grandes amigos que a vida levou para lugares diferentes. E eles se juntam para fazer aquilo, eles tentaram uma maneira meio doida de manter aquele casamento, que é se encontrar a cada dois anos para fazer um show... e você não sabe nunca quando vai ser o último. Eu quis falar disso também. O filme tem a primeira camada que é acompanhar os caras, ver eles tocando, ver a intimidade; e tem a outra camada que é até que ponto você consegue ficar junto na idade adulta, até que ponto você consegue ser próximo de pessoas que foram iguais a você um dia mas que depois a vida levou para outros caminhos.
 
Você passou a ver a banda com um olhar diferente? Mudou alguma coisa?
 
Maria. Eu acho que sim. Hoje eu tenho uma visão mais profunda, sei das coisas que aconteceram em todo esse tempo com eles. Talvez eu tivesse uma visão mais romântica da banda, porque dizia respeito à minha juventude – a gente é contemporâneo da PUC, no Rio de Janeiro. Mas continuo gostando muito deles, acho que ficaram mais reais, deixaram de ser pessoas jurídicas e passaram a ser pessoas físicas para mim, porque eu os acompanhei muito, e de perto ninguém consegue se manter numa posição de John Lennon, né? Todo mundo tem qualidades e defeitos. Acho que ficou mais legal, na verdade.
 
 
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