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Aniversariantes Disney e sua importância no Brasil22. 09. 2014
Quadrinhos
Urtigão, Peninha, Afonsinho e, claro, Donald, tiveram seus especiais lançados este ano
Por Marcelo Rafael

“Tem um pouco do Donald dentro do brasileiro”, afirma Paulo Maffia, editor dos quadrinhos Disney no Brasil, sobre uma das criações de Walt Disney que fazem aniversário em 2014. Além do pato mais famoso de Patópolis, outros 3 personagens assopram velhinhas este ano.
 
O caipira Urtigão comemorou, em março, seus 50 anos, com um almanaque especial. No mesmo mês, Afonsinho – pato genuinamente nacional, criado no Brasil – celebrou 40 anos na revista do Zé Carioca. Peninha não ficou para trás, e a editora Abril lançou seu especial de 50 anos em julho.

O ranzinza Donald, o mais velho da turma, começou os festejos de 80 anos em junho e segue com lançamentos até 2015 – de especiais à revista de linha.
 
 
DONALD

“O Donald, no fundo, no fundo, ‘é todo mundo’. Ele é quando você sai de casa e fica irritado, [ele é] o seu vizinho reclamão, ele é muito mais o nosso dia a dia, ele nos representa”, afirma o editor Maffia sobre o sucesso do personagem que bate a maior estrela da Disney, o camundongo Mickey.

Roberto Elísio dos Santos, jornalista, professor universitário e pesquisador de quadrinhos, concorda com Maffia sobre a popularidade do personagem e sobre suas várias facetas de personalidade.

“Ele pode ser o herói em uma história, pode ser o vilão na outra. Pode fazer uma história de humor, de aventura. [...] Ele tem uma personalidade que pode ser explorada de várias maneiras do ponto de vista narrativo”, explica o professor, autor de Para Reler os Quadrinhos Disney.

O mesmo não se aplicaria ao Zé Carioca e ao Mickey, tanto em termos de personalidade como de popularidade. Zé Carioca, por ter um apelo mais local (apenas no Brasil), fica em segundo plano na “galáxia” das estrelas Disney.

Já Mickey tem que ser sempre o mocinho. “Ele representa o herói, o cara perfeito”, afirma Maffia em contraposição aos vários defeitos que tornam mais “humano” o pato. Roberto Elísio concorda.

Ele lembra também que o pato tinha popularidade por aqui já nos anos 1930, quando a revista Gibi (outra aniversariante em 2014) publicava o pato que, nos anos posteriores, foi inserido em outras revistinhas e suplementos infantis. Até que, em 12 de julho de 1950, Donald estrelou revista própria ao lado de Zé Carioca,com quem dividira a publicação durante anos.

Foi a 1ª publicação da editora. “Não dá para medir em palavras ou em ações a importância do Donald para a Abril. Porque tudo começou com O Pato Donald”, conta Maffia. “Ele é o pai da Exame, da Playboy, da Quatro Rodas, da Placar... de tudo. Para você ver a importância dessa revista aqui dentro”, completa, citando títulos que se consolidaram no mercado ao longo dos anos.
 
De setembro a dezembro, as várias “vidas” de Donald chegam em coletâneas de 300 páginas

Em meados da década de 1960, a Disney criou o Studio Program para dar conta da demanda por quadrinhos na América Latina e Europa, já que, nos próprios EUA, a publicação de revistas Disney era muito baixa.

Isso deu liberdade para artistas nacionais “brincarem” com as crias de Walt Disney. Todos eles, incluindo coadjuvantes e novos personagens, como Afonsinho.

“Os norte-americanos nunca tiveram muito contato com Urtigão, Peninha, Patacôncio... São personagens com os quais os leitores da América Latina e Europa estão mais acostumados”, diz Roberto Elísio.

PENINHA

Peninha foi um dos que se beneficiaram dessa onda criativa nacional. Vários de seus alter egos, como Pena das Selvas (sátira de Tarzan), Pena Kid e Pena Submarino (sátira de Namor), nasceram pelo lápis de artistas nacionais.

“O Morcego Vermelho foi criado pelo Carlos Edgard Herrero. Mas ele não pertence ao artista, foi incorporado ao Universo Disney”, conta o professor. A namorada Glória é outra criação nacional. Em 1981, o sobrinho Biquinho foi concebido por Luiz Padovin.

O caráter ingênuo e atrapalhado, mas sempre “do bem”, fez com que o primo beatnik (“pré-hippie”) de Donald ganhasse a simpatia do público nos anos 1970 e 1980, segundo Maffia e Roberto.
 
“Os principais autores que hoje escrevem Peninha cresceram lendo histórias brasileiras dele”, afirma Maffia

URTIGÃO

Já o Urtigão ganhou uma forcinha do concorrente. Quando surgiu no Brasil, ele era apenas um coadjuvante nas histórias de Donald e Peninha. Até que Mauricio de Sousa deixou a editora Abril.

“Precisavam de um produto para cobrir a falta do Chico Bento. Foi aí que o Urtigão ganhou, dentro da revista dele, todo um universo por roteiristas nacionais”, conta Maffia.

Diferentemente do Peninha, Urtigão ganhou traços diferentes em cada país, de ermitão “redneck” dos pântanos do Sul dos EUA a fazendeiro da classe rural na Itália.

No Brasil, tornou-se um caipira do interior paulista, ao estilo Jeca Tatu. Ganhou a empregada doméstica (função inexistente nos EUA) Firmina, dançou quadrilha e contracenou com seres do folclore nacional, como a Mula sem Cabeça e o Saci.
 
Encadernados no exterior citam a fase dos artistas brasileiros como a formação do personagem, de acordo com Maffia

AFOSINHO

Por fim, um pato para contracenar com Zé Carioca na Vila Xurupita surgiu em 1974. Ingênuo e muito distraído, foi criado pelo brasileiro Renato Canini, que o batizou em homenagem ao meia do Santos, Afonso Celso Garcia Reis.

Deveria aparecer em apenas uma história, mas acabou contracenando em mais de 480, tendo sido publicado em Portugal, Finlândia, Espanha, Itália e Colômbia.

Sua edição especial, o Almanaque do Zé Carioca nº 18, de março, deve entrar para o rol de edições de colecionador, assim como o nº 2432 de Pato Donald, que comemora os 80 anos do personagem e a Copa do Mundo no Brasil, publicada em julho aqui e simultaneamente na Dinamarca.

Segundo Maffia, a revista foi apenas o pontapé inicial das celebrações – 4 especiais temáticos já estão programados: Família, Herói, Aventureiro e Profissional, bem de acordo com as várias facetas citadas por Roberto Elísio e Maffia.

Devem vir ainda Disney Big especial, um especial de Halloween e uma nova versão da quadrinização do primeiro curta-metragem dele, em outubro, além de um encadernado capa dura no começo de 2015. Encerrando tudo em julho de 2015, quando o gibi O Pato Donald completa 65 anos ininterruptos de publicação no país. Um ano e um mês de comemorações.
 
Afonsinho, o pato carioca e boa-praça que homenageia o Santos
 
 
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