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Na mira dos jogos: o que ainda não foi explorado no mundo dos games?18. 12. 2014
Games
Desenvolvedores e comentaristas experts falam sobre temáticas, realidade virtual e outros temas ligados à criação de games
Por Carolina Xavier
 
Você sabe responder a essa pergunta? Nós da equipe do SaraivaConteúdo conversamos com alguns especialistas do mundo dos games para ajudar a sanar essa questão, e aproveitamos para saber um pouco mais da opinião desses experts sobre caminhos interessantes a serem explorados.
 
Os games, desde seu surgimento, têm vivenciado grandes transformações. O apresentador Luciano Amaral, que comanda o programa MOK sobre games e tecnologia, pelo canal a cabo Play TV, acredita que o Nintendo Wii pode ser considerado um marco: “Uma vez que trouxe para frente da TV a família inteira para se divertir através dos videogames. Com isso, ganhamos novos jogadores e novas possibilidades para a indústria”.
 
Os videogames existem comercialmente há quatro décadas. Segundo Leon Oliveira, do canal Coisa de Nerd, no YouTube, falando da história recente, tudo é inovação. “Mais recentemente, o que tem me impressionado são as tecnologias de streaming de jogos. Coisas que permitem que você jogue na sua casa um jogo que está sendo processado por um computador a quilômetros de distância. A Playstation Now da Sony faz exatamente isso. Está em fase de testes, mas parece promissor”, comenta.

INOVAÇÕES ESPERADAS
 
No que diz respeito às inovações no mundo dos games, muitos destacam: “Uma dose de realidade virtual, por favor!”. Essa resposta foi quase unânime entre os entrevistados. O jogador Whesley Holler, o Leko, da equipe paiN Gaming, foi taxativo: “A realidade virtual me instiga muito. Sei que já foram lançadas algumas coisas parecidas, mas quando for algo bem próximo à realidade farei questão de ‘degustar’”.
 
Integrar o real e o virtual em um jogo é o sonho de Henrique Bejgel, da Splitplay, loja online dedicada aos jogos indies brasileiros e latino-americanos. “Por exemplo, escanear um objeto do nosso cotidiano e colocá-lo dentro de uma casa virtual (estilo The Sims). A Nintendo já começou esse processo com jogos de realidade aumentada no 3DS e segue essa ideia com figuras reais de personagens que interagem com o mundo virtual”, analisa.
 
O mercado de games consolidado em torno de uma plataforma única, descentralizada e modal é um dos anseios de Leon: “O mais próximo disso agora são os PCs para games, porque você pode montá-lo com peças de fabricantes diferentes”. O youtuber aponta que um dos grandes problemas é a variedade de consoles. “Isso faz com que você tenha que adquirir um sistema para jogar determinados jogos que são exclusivos, querendo ou não, gostando ou não daquele sistema. O ideal seria não ter essa limitação”, explica.
 
Leon Oliveira, do canal Coisa de Nerd, torce por um mercado de games consolidado em torno de uma plataforma única, descentralizada e modal
 
IMERSÃO, RACIOCÍNIO E CONHECIMENTO
 
Para o gamer Patrick Antunes, que tem seu próprio estúdio de desenvolvimento de jogos, o conceito de realidade aumentada é bem interessante, porém pouco explorado: “Poucos são os títulos que se baseiam na experiência da realidade aumentada, mas os que já existem tendem a funcionar de uma maneira mais básica, quase que incompleta”. Luciano aposta nas tecnologias de imersão com o uso de óculos de realidade virtual, só que acessíveis a todos. “Com a evolução do mercado e já com dois projetos em estágio avançado, como é o caso do Rift e do projeto Morpheus, não acho que esse futuro esteja muito longe”, comenta.

Patrick revela que deseja encaixar algum tipo de experiência jogável no dia a dia: “Gostaria muito de viver tempo suficiente para ver os jogos integrados de maneira constante no nosso dia a dia, de modo que nem pareçam simples ferramentas de entretenimento, mas sim uma parte bem útil e importante da nossa rotina”.
 
O apresentador Luciano Amaral espera que, num futuro próximo, tecnologias de imersão com o uso de óculos de realidade virtual sejam acessíveis a todos
 
POTÊNCIA VERDE-AMARELA
 
No caso do Brasil, com uma participação de US$ 1,5 bilhão no mercado digital de games (34% de todo o mercado da América Latina, segundo pesquisas do SuperData), Luciano destaca a necessidade de uma discussão mais séria: “É preciso ter a conscientização de que videogame deve ser considerado produto artístico, e os benefícios oriundos deste para a economia brasileira devem ser considerados”.
 
Henrique também aposta no potencial do desenvolvimento brasileiro no setor. “Precisamos quebrar o tabu de que jogos nacionais são de baixa qualidade e consolidar os games produzidos no mercado nacional”, comenta.
 
TEMÁTICA: DIVERSIDADE BEM-VINDA
 
Há lacunas a serem preenchidas quanto à temática da nossa cultura e história, segundo Henrique: “Imagine um jogo sobre a Guerra de Canudos!”, vislumbra. Leon chama atenção para o fato de haver pouquíssimos jogos produzidos no ocidente que não sejam etnocêntricos: “Normalmente, o ocidente é o ‘bonzinho’ e o oriente é o ‘mau’. Observando que os orçamentos para a produção de grandes jogos estão distribuídos entre Europa, EUA e Japão (e mesmo os japoneses também precisam apelar para o ocidente), é bem improvável que isso mude no futuro próximo”, observa.
 
Patrick Antunes, gamer e desenvolvedor de jogos, deseja que os games possam ajudar  a transformar tarefas entediantes em atividades divertidas Henrique Bejgel gostaria de ver uma valorização da cultura nacional em relação à temática
 
Percebemos que há muitas áreas ainda a serem exploradas no mundo dos games e que esse universo está em constante transformação, adquirindo novas necessidades conforme o tempo. Portanto, #ficaadica para futuros desenvolvedores, produtores e gamers a respeito de quais áreas estão precisando ser criadas e as que necessitam ser mais bem desenvolvidas. Mas e você? O que acha que falta ser explorado no mundo dos games?
 
 
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