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Revelando Cássia Eller15. 01. 2015
Música
Cena do documentário 'Cássia'
Por Marcia Scapaticio

O documentário é um gênero muito produzido no cinema brasileiro, transformando o trabalho de muitos cineastas em um grande arquivo com a memória de personagens importantes da política e cultura nacionais. É o caso da cinebiografia Cássia, do diretor carioca Paulo Henrique Fontenelle, com estreia prevista para 22 de janeiro.

As produções de Fontenelle são marcantes: Loki - Arnaldo Baptista (2008), sobre o músico conhecido internacionalmente pela banda Os Mutantes, na formação original que ficou na ativa entre fim dos anos 60 e começo dos 70, ao lado do irmão Sérgio Dias e de Rita Lee; e Dossiê Jango (2013), sobre as circunstâncias obscuras da morte do ex-presidente João Goulart, em 1976.

E foi justamente seu currículo, em especial o documentário Loki – a produção agradou ao Chicão, filho de Cássia –, que o ajudou a ganhar a confiança da família da cantora; eles recebiam convites frequentes para que sua cinebiografia ganhasse as telas.

“Tive a ideia de fazer o documentário em 2010. Estava em casa ouvindo os discos, e um é melhor do que o outro. Pensei na importância e [questionei] por que ainda não havia nenhum filme sobre ela. Fiquei curioso para saber quem era Cássia além dos palcos. Entrei em contato com a Maria Eugênia (companheira de Cássia por 14 anos), levei minha ideia pra a produtora e comecei o trabalho de pesquisa enquanto não conseguia dinheiro para as filmagens”, conta Fontenelle.

Para o diretor, Arnaldo Baptista e Cássia Eller têm em comum o amor incondicional pela arte, sem se preocupar com o sucesso ou regras para consegui-lo, levando em conta a música e a total liberdade criativa.

TIMIDEZ E EXPLOSÃO

O documentário mostra com sensibilidade dois lados opostos, mas que se encaixavam muito bem em Cássia Eller: a explosão no palco e a timidez fora dele. Para chegar nesse resultado, Fontenelle entrevistou mais de 40 pessoas que conviveram com a cantora antes e depois do sucesso sem freio do Acústico MTV (2001).

O disco colocou de vez o nome de Cássia entre as estrelas da MPB, permitindo que ela fizesse o que mais gostava: cantar. E não precisava ser em show organizado e mediante pagamento de cachê. A cantora e sua banda chegavam a tocar de surpresa nas churrascarias ou em espaços menores das cidades que visitavam, montando grupos secretos com nomes desconhecidos.
 
A cantora Cássia Eller é o tema do documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle

De repente e sem a menor cerimônia, apareciam e tocavam covers, forró, samba, rock, tudo muito diverso, como o repertório oficial escolhido a dedo por ela, que ia de Nirvana a Chico Buarque, Edith Piaf e Nando Reis, amigo e compositor de muitas de suas canções. A alegria da agenda cheia e de shows concorridos contrastava com o gradual desgaste emocional e físico da cantora, que se equilibrava com dificuldade entre os excessos e as coisas boas dessa fase de reconhecimento de seu talento como intérprete.

BASTIDORES

Junto à pesquisa em arquivos de vídeo e texto, Fontenelle viajou com Chicão e a banda de Cássia para Maceió, em 2011.

“Foram três dias ouvindo histórias sobre ela, o que me ajudou muito. Quando faço um filme, o mais importante para mim, junto com a história que estou contando, é proporcionar uma nova visão do personagem para quem assiste”. No documentário também podemos acompanhar os bastidores da disputa judicial de Maria Eugênia pela guarda de Chicão, que tinha 8 anos quando Cássia morreu.

Sem alarde dos envolvidos, mas com muita especulação feita pela imprensa na época, o caso se transformou em mais do que uma vitória pessoal de Maria Eugênia, sendo um símbolo do reconhecimento dos direitos homossexuais no Brasil.

“Ela era espontânea e, sem levantar bandeira, conseguiu influir nessa questão. O filme acaba sendo uma boa resposta aos comentários preconceituosos que ouvimos hoje em dia. Cássia era uma pessoa tão fantástica quanto a sua arte”, justifica Fontenelle, que com seu documentário revelou as diferentes nuances de uma das mais intensas e talentosas cantoras que o Brasil já teve.

PARA OUVIR

Ao ser perguntada sobre a diversidade de seu repertório, Cássia deixava claro que, ao escolher uma música, procurava entender a cabeça do compositor e sua maior identificação passava pela letra. O momento que vivia também influenciava, mas às vezes se deixava levar por trechos da melodia.
 
Cássia Eller e seu filho Chicão em cena do documentário sobre a cantora

“Se uma nota da melodia me pega, eu canto a música inteira só por causa daquele trechinho”, disse em entrevista ao programa Luau MTV, em 2001, último registro dela em vida.

Abaixo separamos sugestões de músicas para você ouvir antes ou depois do filme.

Beatles – “Come Together”

Clássico dos Beatles, a música era presença certa nos shows de Cássia. O disco Abbey Road foi o último lançado pelo quarteto de Liverpool, em 1969. A capa com os músicos atravessando a faixa de pedestres em frente ao Abbey Road Studios se tornou um ícone da cultura pop.
 


John Lennon e Yoko Ono – “Woman is the Nigger of the World”

Escrita em uma parceria entre John e Yoko, “Woman is the Nigger of the World” está no disco Sometime in New York City, lançado em 1972. Além do palco, o cover de Cássia ganhou registro na coletânea póstuma Sem Limite (2001).
 


Arnaldo Antunes – “Socorro”

A música de Arnaldo Antunes apareceu pela primeira vez no disco Cássia Eller, lançado em 1994. Daí em diante virou um daqueles sons mais conhecidos na voz da cantora do que de seu intérprete original. Ainda há o registro feito em voz e violão no especial Violões, série de shows gravados em 1996.
 


Nação Zumbi – “Quando a Maré Encher”

Fã da banda, Cássia convidou os músicos da Nação Zumbi para cantar com ela na terceira edição do Rock In Rio, em 2001, e na gravação do Acústico MTV do mesmo ano.
 
 
 
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