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O eterno rei do reggae06. 02. 2015
Música
Bob Marley
Por André Bernardo

O carioca Marco Antônio Lázaro da Cruz tinha apenas 15 anos quando ouviu Bob Marley pela primeira vez. Na época, o futuro baterista do grupo Cidade Negra trabalhava numa loja de discos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde nasceu. Um belo dia, o garoto colocou o “bolachão” de Exodus (1977) na vitrola para tocar e não parou mais.

Não por acaso, em 1998, o álbum foi considerado pela revista norte-americana “TIME” o melhor do Século XX. “Quando traduzi as letras, quase enlouqueci. A realidade que o Bob cantava em suas músicas era a mesma que eu vivia no Morro da Palmeira, em Belford Roxo”, recorda Lazão. “Logo, percebi que miséria e violência existem em qualquer lugar. Não importa se você está em Trenchtown, em Kingston, na Jamaica, onde ele cresceu, ou no Morro da Palmeira, na Baixada Fluminense, onde nasci”, afirma o baterista.

Lazão não foi o primeiro a ter a vida transformada pela música de Robert Nesta Marley. E, provavelmente, não será o último. São muitos os artistas que tiveram seus trabalhos influenciados pelo rei do reggae. No Brasil, Caetano Veloso talvez tenha sido o primeiro deles. Em 1972, ainda no exílio, citou o ritmo jamaicano na música “Nine Out of Ten”, do álbum Transa.

“Descobri o reggae em Portobelo Road (rua londrina no bairro de Notting Hill) e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70”, afirmou, em entrevista ao “Jornal do Brasil”, em 1991.

Seis anos depois, foi a vez de Gilberto Gil. No álbum Realce (1978), lançou “Não Chore Mais”, versão para “No Woman, no Cry”. “Foi o último artista a quem dediquei profunda atenção. Depois do samba e do baião, reggae é a música de que eu mais gosto”, admitiu no documentário Kaya N’Gan Daya (2002), dedicado a Bob Marley.

Bem, se Elvis não morreu, é provável que Bob também não. No mais recente ranking da revista “Forbes”, o rei do reggae aparece em quinto lugar na lista das celebridades que, mesmo depois de mortas, continuam faturando alto. De acordo com a publicação, Bob Marley lucrou cerca de US$ 20 milhões.

Morto em 1981, aos 36 anos, vítima de câncer, o cantor jamaicano está à frente da atriz americana Marilyn Monroe, do músico britânico John Lennon e do físico alemão Albert Einstein. Só de discos, os 14 álbuns de estúdio e os quatro ao vivo já venderam algo em torno de 200 milhões de cópias no planeta inteiro. Além disso, a família Marley empresta o nome de seu membro mais famoso a uma infinidade de produtos, que vão desde uma marca de bebida de efeito relaxante, a Marley Beverage, até uma linha de aparelhos eletrônicos de apelo ecológico, a House of Marley.

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

No mês em que Bob Marley completaria 70 anos – a data exata é 6 de fevereiro –, a Universal Music anuncia o lançamento de um CD/DVD inédito do artista: Easy Skanking. Gravado no Boston Music Hall (EUA) no dia 8 de junho de 1978, como parte da turnê do álbum Kaya (1978), o álbum chega às lojas no dia 10 e reúne clássicos do reggae, como “I Shot the Sheriff”, “Get Up, Stand Up” e “No More Trouble”.

Pela primeira vez, a família Marley liberou o acesso da Universal ao espólio do artista. Por essa razão, a gravadora pretende lançar, ao longo do ano, novas versões de seus álbuns de estúdio, com material inédito, bootlegs e raridades. Na Jamaica, o governo local preparou uma programação especial para o seu filho mais ilustre, com direito a show gratuito, partida de futebol beneficente e até um simpósio no recém-reformado Museu de Bob Marley, antiga casa do cantor na capital Kingston.

No Brasil, a data também não vai passar em branco. Até março, o grupo carioca Ponto de Equilíbrio planeja excursionar por diversas capitais com a turnê “Bob Marley – 70 Anos”. No repertório do show, clássicos de diferentes fases do artista, como “One Love”, “Get Up, Stand Up” e “Redemption Song”, misturados a canções da banda, como “Aonde Vai Chegar”, “Árvore do Reggae” e “O Que Eu Vejo”.

“O legado deixado por Bob Marley ultrapassa o aspecto cultural. Ele foi o primeiro grande artista do Terceiro Mundo a fazer sucesso internacionalmente”, afirma Márcio Sampaio, guitarrista do grupo. “Além disso, as letras dele não envelheceram. Ainda hoje, o mundo precisa ouvir canções que falam de paz, amor e liberdade”. Em abril, o Ponto de Equilíbrio entra em estúdio para gravar seu mais novo álbum: o quarto em 16 anos de estrada. O mais recente trabalho do grupo é o DVD Juntos Somos Fortes – Ao Vivo  (2013).

Outra banda que costuma reservar boa parte de seu set-list a músicas de Bob Marley é a maranhense Tribo de Jah. Dos 15 álbuns lançados, um chama a atenção por motivos óbvios: A Bob Marley (2001).

Nele, o grupo traduziu alguns dos maiores hits do cantor para o português. Assim, “One Love”, “Natural Mystic” e “War”, só para citar alguns, viraram “Um Só Amor”, “Magia Natural” e “Guerra”, respectivamente.
 
Ponto de Equilíbrio
Tribo de Jah

Para Fauzi Beydoun, vocalista da Tribo de Jah, não é difícil explicar por que o público maranhense gosta tanto de reggae, a ponto de São Luís ser considerada a capital brasileira do ritmo jamaicano. “Graças a Bob Marley, o reggae ganhou uma postura contestatória. Dos cantores jamaicanos, era o mais politizado deles. Mas o povo daqui não presta atenção às letras. Adotou a música como se fosse sua porque curte a levada dançante do reggae”, explica o vocalista.

Bandas de reggae, como Cidade Negra, do Rio, e Tribo de Jah, do Maranhão, proliferam por todos os estados. Até mesmo Brasília, tradicional reduto roqueiro do país, terra natal de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, já deu origem a uma autêntica representante do gênero: a banda Maskavo.

No início da década de 1990, quando ainda se chamava O Cravo Rastafári, o grupo já fazia “covers” de músicas de Bob Marley. “A batida do Maskavo pode ser de reggae, mas o ‘riff’ é de rock. Temos mais guitarra do que a maioria das bandas de reggae”, analisa Rodrigo Prata, guitarrista que já passou pelas diferentes formações do grupo. Mas como explicar o sucesso do reggae em terras brasileiras? Prata dá o seu palpite. “Musicalmente falando, é um ritmo agradável de ouvir. Além disso, o reggae tem um público fiel, que comparece aos shows e prestigia o trabalho das bandas”, observa.
 
CRAQUE DA MÚSICA

Desde que lançou seu primeiro álbum, The Wailing Wailers (1965), Bob Marley nunca tocou no Brasil. A única vez que esteve por aqui, entre os dias 18 e 20 de março de 1980, não foi para fazer shows. Na ocasião, ele veio ao Rio para divulgar o lançamento da gravadora alemã Ariola. Nos três dias que passou na cidade, encontrou tempo para participar de uma “pelada” no campo do Polytheama, o time do cantor Chico Buarque de Hollanda, no Recreio dos Bandeirantes. O jogo terminou em 3 a 0, com gols de Bob, Chico e Paulo Cézar Caju.
 
Maskavo

“Bob era habilidoso e sabia tocar bem na bola”, elogia o ex-craque da seleção tricampeã de futebol. Ao término do jogo, Bob Marley, já vestindo uma camisa do Santos Futebol Clube, foi cercado por jornalistas no vestuário. “A Jamaica gosta de futebol por causa do Brasil”, declarou, na ocasião.

A vida e a obra de Bob Marley foram precocemente interrompidas um ano e dois meses depois de sua visita ao Brasil. No dia 11 de maio de 1981, o cantor morreu vítima de câncer em um hospital de Miami (EUA). Um melanoma não tratado corretamente no dedão do pé evoluiu e atingiu outros órgãos, como cérebro, pulmão e estômago.

Se o reggae perdeu força depois da morte de seu maior ídolo? O jornalista Carlos Albuquerque, repórter de “O Globo” e autor de O Eterno Verão do Reggae (Editora 34), garante que não. “O reggae já existia antes de Bob Marley e continua a existir depois dele. Bob foi o grande divulgador e o maior símbolo do reggae, é claro, mas achar que o estilo se limita a ele é um grande equívoco. A música jamaicana e seus subestilos, como ska, dub e toast, influenciaram boa parte da produção musical dos anos 1970 para cá, do hip-hop à dance music”, analisa o jornalista.

Organizado pelo pesquisador Gerald Hausman, autor de outros seis livros sobre Bob Marley, O Futuro é o Começo (Editora Best-Seller) reúne dezenas de aforismos do rei do reggae. Num deles, o cantor fala de imortalidade: “A morte não existe. Deus me deu a vida. Por que a tomaria de volta?”, indaga, numa entrevista concedida na década de 1960.

Em outro, admite seu ponto fraco. “Meu único vício é mulher. Fora isso, sou um santo”, revelou, em tom brincalhão. Ao todo, Bob Marley teve 11 filhos. Quatro deles – Ziggy, Ky-Mani, Julian e Damian – seguiram sua carreira. “Qual o maior legado deixado por Bob? Seus filhos, certamente. Ele mesmo admitiu, certa vez, que seus filhos eram a sua maior riqueza”, afirma Hausman, que não chegou a conhecer pessoalmente o artista, mas tornou-se amigo de Cedella Marley, a filha mais velha de Bob, hoje com 48 anos.

BOB NÃO MORREU

Em janeiro, Julian veio ao Brasil para uma série de shows. Em pelo menos dois deles, na Fundição Progresso, no Rio, subiu ao palco ao lado dos The Wailers, a ex-banda de seu pai, e do grupo Natiruts, de Brasília. “Mesmo superficialmente, foi legal conhecê-lo. Ele é muito tímido, sabe? Bem mais do que eu”, entrega Alexandre Carlo, vocalista do Natiruts.

Tão emocionante quanto conhecer Julian, admite Alexandre, foi estar perto de Aston Barrett, o lendário baixista dos The Wailers. “O reggae jamaicano é muito diferente do brasileiro. São dois países culturalmente distintos. Não há como o reggae daqui ser igual ao de lá”, analisa Alexandre participou da gravação do mais novo álbum do Natiruts, Clássicos do Reggae Brasil, gravado no dia 8 de janeiro em Salvador, na Bahia. O mais recente trabalho do grupo é o CD #No Filter  (2014), que traz a infalível “Is This Love”, do repertório do ídolo.
 
Natiruts

Se o pai do reggae não tivesse morrido, Alexandre Carlo acredita que ele ainda estaria na ativa, compondo músicas, gravando CDs e fazendo shows. “Só se aposenta de alguma coisa quem vê aquilo como trabalho. Bob Marley via sua música como instrumento de transformação social”, enaltece o vocalista do Natiruts.

O guitarrista Prata, do Maskavo, concorda. Para ele, Bob estaria se reinventando sempre, sem jamais perder sua raiz. “Se bobear, já teria gravado um disco no Brasil ou, quem sabe, estaria cantando em português”, cogita.

Armandinho vai além. Além de estar excursionando com os filhos, Bob Marley já teria gravado um álbum de rap ou hip-hop. Segundo o cantor gaúcho, o reggae é eterno porque, mais do que um gênero musical, é um estilo de vida. “O reggae não tem fãs. O reggae tem seguidores. Você não toca reggae. Você vive o reggae”, filosofa o cantor.
 
Em comemoração ao 70º aniversário de Bob Marley, a Saraiva indica três álbuns fundamentais do artista jamaicano:

Live In Germany 1980 DVD gravado ao vivo durante a turnê mundial do álbum Uprising (1980), o último lançado com Bob Marley ainda vivo. Ao todo, a turnê registrou 38 shows, 33 deles na Europa. O show do DVD foi realizado em Dortmund, na Alemanha, no dia 13 de junho de 1980. Destaque para as canções “Could You Be Loved” e “Redemption Song”, nunca antes tocadas ao vivo.

Exodus 3 - Live At the Rainbow Lançado em 2007, em comemoração aos 30 anos do lançamento do álbum Exodus, traz o registro ao vivo do lendário show realizado no Rainbow Theatre, de Londres, em nova e luxuosa embalagem. No repertório, 12 faixas, entre elas “Rebel Music” – a canção de Bob Marley favorita do cantor Gilberto Gil –, “I Shot the Sheriff” e “No Woman, No Cry”.

Kaya - 35th Anniversary Em 2013, o álbum Kaya (1978) ganhou uma merecida reedição de luxo, com direito a encarte com as letras e fotos de backstage. Além das dez canções originais, como “Is This Love” e “Satisfy My Soul”, o CD duplo traz, ainda, o registro do show Live at Ahoy Hallen, realizado em Roterdã, na Holanda, em 7 de julho de 1978. De quebra, uma inédita, “Smile Jamaica”.

 
 
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